sábado, 5 de fevereiro de 2011

Natal


Nos últimos dois anos os problemas da capital do sol tornaram-se tão graves que já não se pode dizer qual deles é o pior: não se sabe se é pior a água não potável,cheia de coliformes fecais ou se a água das praias que recebe os dejetos dos esgotos e fica imprópria para o banho;não se sabe se o aumento do IPTU ter ultrapassado a casa dos 100% ou se o fato de o lixo das ruas não parar de aumentar;não se sabe se o aumento na passagem de ônibus ter ultrapassado o aumento dado ao salário mínimo ou se o fato de o único benefício nos transportes ser dado aos ônibus ,pois ganharão GPS(para que servirá à população ninguém sabe,pois pegar um carro com GPS ou sem,não faz diferença,anda-se de pé do mesmo jeito) ou se o fato de as paradas serem precaríssimas para abrigar aos passageiros.A população assiste a todos esses descasos pacificamente como cordeirinhos.É a capital dos sonhos de todo corrupto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

¨P@#$#@$%$#¨ vrão e a música.


    
  Nas voltas que o mundo dá, a linguagem humana e as formas de comunicação são as primeiras ou algumas das primeiras coisas a mudar, avançar e se transformar. Se ontem usávamos máquinas datilográficas para escrever ou celulares do tamanho de um tijolo, que custavam os olhos, atualmente temos os computadores e celulares, cada vez menores e mais práticos. Mas não apenas a tecnologia avança, em matéria de comunicação. A linguagem também avança, perdendo cada vez mais o tom senhorial, acadêmico. Mesmo nas academias de ciência essa mudança é perceptível. Palavras que antigamente eram consideradas ofensivas demais, hoje em dia são faladas até por crianças, tais como: vá pro inferno, diacho, desgraçado – isso dito por pessoas antigas e extremamente religiosas, seria como um pecado – ou então puto (que em Portugal quer dizer criança, mas no Brasil significa prostituto). Muitas palavras diferem seu sentido por causa do contexto, senão vejamos o caso de verbos como DAR, COMER, METER que possuem alto teor erótico em algumas situações, mas que na verdade significam, a princípio, um ato praticado por todo ser humano. Essas mudanças se devem a inúmeras questões, quer sejam de caráter interno ou externo. Muitos desses fatores vêm do que é visto no cinema ou televisão, literatura e/ou música. Lembro que até o final dos anos 1970, em plena ditadura militar, a única letra que possuía palavrão era Geni e o Zeppelin, de Chico Buarque:” Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar!Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni! Joga bosta na Geni!"Temos aí o verbo dar usado num sentido erótico e o que na época era palavrão:bosta.Pulando para os anos 1980, com o surgimento na cena musical do Camisa de Vênus e seu nome impublicável( os jornais estampavam apenas C...), os palavrões se tornaram mais fortes e cada vez mais na boca do povo,basta ouvir Sílvia ou Bota pra fudê, que virou hino das torcidas de todo o país.No disco Viva,feito sem nenhuma mudança do que ocorreu no show,a platéia entoa seu canto quase pornográfico.Nos anos 90 a coisa não mudou muito,pois surgiram os filhotes do Camisa,os Raimundos, com seu Selim.Chegando aos anos 2000,temos as bandas Rock Rocket,Matanza e por último Pitty que introduziu uma febre nos Orkuts e MSNS  e nas brigas de amor de todo o país com sua Me adora: “...Que você me adora, Que me acha foda, Não espere eu ir embora pra perceber, Que você me adora, Que me acha foda, Não espere eu ir embora pra perceber(...)”.Fica bem claro que a acepção da palavra foda,que há muito deixou de ter seu sentido ligado apenas à questão sexual,passando a ter também o sentido de alguém que é ótimo em algo e ,nesse caso,   significando uma pessoa importante,especial.Portanto, se é a oportunidade que faz o ladrão,é o contexto que faz da palavra um palavrão e esse contexto está unicamente na cabeça de quem ouve.Mas isso está mudando cada vez mais,seguindo os passos da tecnologia.